Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acredito na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.

Nelson Magalhães Filho

quinta-feira, 13 de março de 2008

PATTI SMITH, Ask The Angels




Patti Smith vai ter uma série de obras suas em exposição na Fundação Cartier, em Paris, a partir de 28 de março. Land 250, assim se chamará a exposição que incluirá 250 polaroids (entre as quais imagens dos talheres do poeta Rimbaud, a guitarra de Hendrix, os chinelos do fotógrafo Robert Mapplethorpe, a cama da escritora Virginia Woolf, a máquina de escrever do escritor Hermann Hesse ), desenhos, instalações, filmes, canções e objectos. Um destes objetos é uma pedra de rio, tirada do local onde Virgínia Woolf se suicidou. A fundação vai lançar quatro livros dedicados a Patti Smith.

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