Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acredito na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.

Nelson Magalhães Filho

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Nelson Magalhães Filho. PAISAGEM QUE AS CRIANÇAS URBANAS COMERAM 4 - 1995. Mista s/tela, 185X145 cm

3 comentários:

Luciano Fraga disse...

Buenas,gostei muito desta tela,a cor, a dramaticidade angustiante da figura. Parece uma figura do planeta vermelho porém com um anel de saturno na cabeça.

Cândida disse...

é muito interessante. é. ghotei muito :) A sério.

kek-w disse...

That's a beautiful image!