Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acredito na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.

Nelson Magalhães Filho

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008


Fotos: Nelson Magalhães Filho
pétalas de rosa no seu rosto
sonos desmanchados como um despejo de estrelas
e teu olhar viscoso sobre o nada desesperado
da paisagem frugal
acenando para miragens-labaredas
titubeante sabor cor de sangue
incendeia meu pau.

Nelson Magalhães Filho

6 comentários:

Ruela disse...

imagens maravilhosas e blogue!
Parabéns Nelson.
um abraço.

Luciano Fraga disse...

Buenas,potente,cruel,no rastro,na linha do velho Buk...

Luciano Fraga disse...

Este blog já passou de ser linkado no versoseperversos.blogspot.com,mas estou com dificuldades para conseguir por aqui.Providências foram tomadas,é imprescindível.

Anônimo disse...

Chico Bandido Vermelho disse:
Também quero fazer um blog DUKARALHO igual a esse aqui no Corta-Jaca.Vou botar a mulherada toda pra sambar na enxada!!!!!!

Luciano Fraga disse...

Cada vez gosto mais deste CHICO VERMELHO,vá em frente amigo,garanto que vou linkar.

Cândida disse...

essa do pau estraga tudo :)