Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acredito na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.

Nelson Magalhães Filho

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

SAMANTHA ABREU:Nenhum Sobrevivente é Nada

Leitura de Samantha Abreu / texto de Paulo Castro
VEJA MAIS:
http://samanthaabreu.blogspot.com/

3 comentários:

Lord of Erewhon disse...

Este blogue está cada vez melhor... Este cachorro quase está virando anjo! ;)

Abraço.

bat_trash disse...

Excelente o texto de Paulo Castro e Leitura de Samantha.

Bat Kiss.

Luciano Fraga disse...

Essa Samantha é demais cara, excelente texto também, abraço.